Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006

Confissões de uma dona de casa desesperada

 

“Amor, porque é que tu não és como os outros homens? Estou cansada que me trates desta forma. Peço-te, melhor, imploro-te. Bate-me, por favor. Não quero que sejas meigo comigo, quero que chegues a casa às tantas da manhã a tresandar a vinho e me enchas de porrada, como se não houvesse amanhã.
 
Desejo exacerbadamente ter nódoas negras espalhadas por todo o corpo, como era bom! E dizer ao médico com tom delicado, ingénuo e mentiroso «Sabe como é, senhor doutor? Vinha a subir as escadas com o cesto da roupa, que estava muito pesado e caí. Malhei com os dois olhos, com a boca, com as nádegas e com as costas na quina da escada e ainda me dói muito»
 
Preocupa-me toda a preocupação que por mim tens. Pára de me chamar “princesa” ou “bomboca do meu coração”, não vês que não é isso que eu quero. Quero que me trates por imbecil e que faças de mim escrava do lar. Insisti demasiadas vezes para que desaprendesses de cozinhar. Não te quero na cozinha. Muito pelo contrário, quero que quase me tranques dentro dela e só me deixes sair por três condições extremas: ir à casa de banho; ir dormir; ir levar-te a cervejinha bem fresquinha, enquanto tu coças os tintins e vês futebol.
 
Anseio pelo dia em que tu vás deixar de cheirar a nada ou ao teu aftershave e chegues a casa com o aroma fascinante de um perfume de mulher diferente do meu. Quero que me obrigues a lavar as marcas de baton da tua camisa das tuas mil e uma amantes no tanque com água gelada.
 
Já alguma vez ouviste falar em violência doméstica? Se nunca ouviste, estás perdoado, mas acredita que não me importo de te explicar, de te ensinar. Não tenhas medo de me magoar, porque recebo com dignidade e orgulho toda a força que em mim queiras descarregar. Finge que a APAV não existe. E não te preocupes com os vizinhos, eu própria encarrego-me de os calar, nem que para isso seja preciso usar a pistola de canos cerrados que está por baixo da nossa cama.
 
Agora, só te peço uma coisa. Sê homem e faz-me, por favor, sentir mulher. Amo-te muito.”
 
 
 
 
 
 
 
Agora a sério, não deixe que a violência doméstica lhe marque a vida ou a vida dos que estão à volta de si. Se é vida, ou conhece alguém que sofre com esta tormenta, por favor, seja um cidadão responsável e preocupado e denuncie.
 
APAV  -  Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
Telefone: 707 20 00 77
 
Vai ver que ajudar não custa.
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publicado por pacotesdeleite às 17:15
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5 comentários:
De joana a 30 de Outubro de 2006 às 17:58
grnd amigo...

assim sim

beijinhos po genio
De castor a 2 de Novembro de 2006 às 16:18
Felizmente não conheço ninguem nessa situação mas, como é evidente, existem milhares de vítimas por ano...é sempre muito bom haver textos a sensibilizarem as pessoas para este enorme e tristissimo problema de claro desrespeito, grande agressividade e imensa tortura psicológica e fisica.
De mmfmatos a 3 de Novembro de 2006 às 21:04
Muito bom este teu post , prima pela originalidade com que apresentas a questão da violência doméstica que é uma coisa aberrante. Não vai longe o tempo em que as próprias autoridades ao receberem a queixa da vítima fechavam os olhos e diziam:"Entre marido e mulher, ninguém meta a colher". Felizmente as coisas estão a mudar, lentamente, mas lá vão mudando. Um abraço
De tania a 28 de Abril de 2008 às 14:07
oi quem fez este blig esta muito bom, era bom que mais pessoas ajudassem estes casos prk cada vez a mais crianças e adulexentes a serem vitimas de mal tratos pelos pais e tbm mulheres ou prk n lhes dao o k querem ou são alcolicos mas n há ração para faxerem isto porisso eu tbm gosto de partecipar nestas causas
e quanto mais gente melhor eu tbm estou a faxer um trabalho sobre violência Domestca acho um trabalho mt importante espero k baixem a % de mulheres e crianças vitimas de violência domestica Bjx para todos(as) as pessoas que ajudam estas causas.......:)
De touaqui a 17 de Novembro de 2006 às 16:42
Porra , desculpa mas realmente não conheço ninguém nessas condições e aliás pensava que era mesmo a sério.
Lá diz o ditádo , quanto mais me bates mais gosto de ti.
Chiça penico.

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